Banco Master: CAE apresenta grupo que vai acompanhar investigações
A recente movimentação da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, ao criar um Grupo de Trabalho para “acompanhar” o caso Banco Master, levanta uma questão que vai muito além das cifras bilionárias: até que ponto a política pode interferir na técnica sem destruir a credibilidade das instituições?
A Conveniência da “Cegueira Seletiva”
O comportamento humano nos bastidores do poder segue um roteiro previsível. É o fenômeno da indignação tardia. Bilhões não transitam em sombras sem que os radares do Banco Central (Bacen) e da Polícia Federal (PF) emitam alertas. A pergunta que fica no ar é: por que o Senado só decidiu “montar o palco” agora?
A resposta reside no oportunismo. Transformar uma investigação técnica em uma peça teatral política é uma manobra clássica para garantir o protagonismo de quem, até ontem, preferia a omissão.
O Perigo de Engolir a Técnica
A maior preocupação neste cenário é o risco de desvalorização do trabalho da Polícia Federal. Quando o Senado avoca para si a luz dos refletores, ele flerta com a desidratação da autoridade policial.
- Se a política tenta pautar o ritmo da investigação, abre-se a porta para manobras de bastidor: trocas de superintendentes, pressão sobre delegados e o abafamento de provas que possam incomodar aliados.
- O medo real é que a PF seja engolida pela narrativa parlamentar, transformando um inquérito rigoroso em uma disputa de egos e calendários eleitorais.
O “Ovo Frito” e o Compliance de Fachada
Como bem sabemos na gestão de riscos, o leite já foi derramado. Não há como “desfritar o ovo” e devolvê-lo à casca. O dano ao sistema financeiro e à confiança do mercado já foi feito.
Se o compliance fosse levado a sério no coração das instituições, o caso nem teria chegado a este ponto. Agora, o que vemos é o uso do compliance como um “espantalho”: uma palavra bonita usada para justificar o palanque político, enquanto a ética real foi sacrificada há muito tempo.
Conclusão: Justiça ou Palanque?
Acreditar na Justiça e na Polícia Federal é o único caminho para a manutenção da ordem democrática. Se as instituições técnicas forem silenciadas por manobras de senadores que buscam se tornar “xerifes da economia”, o futuro do país estará comprometido.
Se qualquer um com mandato pudesse ser o dono do banco, do juiz e da polícia ao mesmo tempo, o Círculo Virtuoso da Governança estaria morto. O que a sociedade exige não é um grupo de trabalho para fotos em Brasília, mas que deixem os órgãos competentes trabalharem sem as amarras da conveniência política.
